No meu ponto de vista adotar é um ato simples, que envolve muito comprometimento e amor,
mas que tem uma repercussão bem complexa em decorrência do ato.
Do ponto de vista do animal, ao ser adotado, sua vida esta sendo salva, tendo uma oportunidade
de ter um lar feliz e com carinho. Onde muitas vezes o adotante está tirando um animal de uma
situação de risco ou maus tratos. Do ponto de vista do adotante, ele está adquirindo um amigo,
companheiro, para a vida.
Ao adotar além de mudar a vida do animal em questão, esse ato reflete em alguns pontos
importantes. Tirando um animal da rua, você tem um controle populacional melhor, seja apenas
por evitar o cruzamento ou com a castração do animal, então dessa forma evita futuros
abandonos ou maus tratos de quaisquer animais que poderiam nascer.
Do ponto de vista das ONGs ao adotar um animal de rua, você está ajudando indiretamente no
trabalho delas, onde é um animal a menos para se preocupar ou que irá se reproduzir/adoecer
nas ruas. Adotando da própria ong, você ajudará de forma direta, muitas vezes com uma
contribuição financeira e liberando uma vaga para um próximo animal que precise.
Quando a pessoa adota, está tirando do mercado um possível comprador para o animal. Afinal
se a pessoa prefere adotar, está diminuindo assim o comercio ilegal de animais e inibindo os
criadores irregulares. Pelo fato de que se a procura diminui, a oferta também irá diminuir.
Quando um criador irregular diminuiu sua produção, ele acaba poupando mais a matriz. Matriz
é a fêmea ou macho usado para procriação. Se o criador não tiver para quem vender os filhotes,
não é interessante manter uma fêmea gravida, que gera mais custo. Muitas vezes os criadores
irregulares estão apenas interessados em lucro, já que precisam vender seus animais a um baixo
custo comparado com o criador legalizado. Para eles uma fêmea prenha ou uma ninhada para
alimentar é de alto custo, não valendo a pena. Desestimulando o mercado.
Existem muitas pessoas que não tem ideia real de como é a vida de um animal matriz, eles são
animais usados como “base” para criação de produtos, no caso em questão cães ou gatos.
Vivendo em situação precária, muitas vezes em ambientes sujos, mal alimentados e em espaços
pequenos. Porque o criador pensa no lucro e não querendo investir muito, para não aumentar o
custo do filhote para poder assim vender. Alguns criadores cruzam animais “parentes”, como
avó com neta, pai com filha, irmãos, e etc. Tudo porque não querem investir em novos animais
para aumentar a variação genética.
Isso acarreta sérios problemas para os filhotes, é dessa forma que algumas doenças genéticas
são selecionadas e acabam surgindo animais com doenças serias que muitas vezes são
incompatíveis com a vida. Ou doenças terminais em animais jovens, como o câncer.
Infelizmente algumas pessoas veem os animais como status, isso é, compram determinada raça
por estar na moda. É isso que estimula o mercado ilegal de pets. Devemos lembrar que se tratam
de vidas, e nossas escolhas refletem na vida deles.
Bianca Bennati
Médica veterinária na SPet junto a Cobasi Faria Lima

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