A cinomose é uma doença transmitida por um vírus, tendo uma alta taxa de contaminação e um risco de óbito grande, cerca de 85% dos animais infectados evoluem para morte. Dos 15% que sobrevivem, a grande maioria acaba ficando com sequelas neurológicas.

É um vírus que se reproduz principalmente no sangue e no sistema nervoso central. Os sintomas são: secreção nasal e ocular, diarreia, apatia, febre, vômito e alterações neurológicas. Ele é transmitido por secreções: ocular, nasal, fezes e urina; de forma direta, ou seja, de um animal para o outro, ou indireta, por fômites (comedouros, bebedouros, sapato, etc.).

A cinomose possui 3 fases: respiratória, digestiva e neurológica. Não necessariamente o animal passa por todas as fases, ou passa por elas em sua respectiva ordem, o que define isso é a cepa do vírus.

O vírus da cinomose pertence a família Paramyxovirus, do gênero Morbilivírus. Cepa ou estirpe seria uma classificação dentro do vírus. É mais ou menos como dividimos as classes nas escolas, onde dividimos por fundamental, depois da série, e por fim uma classificação de sala, como “a” ou “b”. Algumas cepas da cinomose causam mais sintomas gastrointestinais, ou mais respiratórios, algumas evoluem logo para a fase neurológica e outras demoram mais. As cepas que evoluem mais rápido para a fase neurológica são mais agressivas e com prognóstico pior.

Animais como o Rottweiler e o Pit Bull possuem uma sensibilidade a doenças gastrointestinais maior, com isso eles acabam sofrendo mais com os sintomas gastrointestinais, podendo desenvolver desidratação mais facilmente. Outra coisa que pode acontecer também é a translocação das bactérias no intestino e causar uma septicemia (infecção generalizada). Essas raças geralmente têm necessidade de ficarem internados na clínica para fluidoterapia e tratamento suporte.

A doença causa diminuição da imunidade do animal devido à replicação do vírus, com isso algumas bactérias oportunistas podem causar uma infecção secundária, como pneumonia, o que ajuda a agravar o quadro. Os sintomas neurológicos se dão devido a replicação do vírus e inflamação subsequente.

Os sintomas neurológicos muitas vezes se iniciam com quadros leves de mioclonia, que são leves tremores, muitas vezes confundidos com soluços, e vão evoluindo conforme o vírus vai se replicando. Começam a andar meio desorientados, como se estivessem bêbados, dificuldade de reconhecer o dono (podendo ficar até agressivos), paralisia de membros e convulsão.

O tratamento da cinomose é sintomático, variando com a fase em que a doença está. Não existe no momento uma medicação antiviral específica para cinomose, o que possui no mercado é um soro hiperimune para a doença, porem ele pode ser usado em qualquer fase mas não possui eficácia total. A vacina é o único método 100% eficaz para a doença.

Bianca Bennati
Veterinária da clínica SPet junto a Cobasi São Bernardo Faria Lima

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